Sabe Você


"ELIS - COMO E PORQUE"

“Que minha música seja escutada com o mesmo carinho com que é feita. E que não perca o fôlego neste longo mergulho que é chegar até vocês. Amém”.(Elis Regina)

Essa foi a 15ª anotação de agradecimento que Elis fez e que se encontra no encarte de COMO E PORQUE, um disco de 1969, produzido por Armando Pitigliani. O mini-texto, que se tornou uma de suas declarações mais famosas, retrata todo o amor que Elis tinha pela música e seu desejo de fazer sempre algo perfeito para seu público receber, como um presente. Assim ela se sentia feliz. ELIS – COMO E PORQUE não chega a ser um disco histórico, se o compararmos com a trilogia 2 NA BOSSA, com Jair Rodrigues ou, uma década mais tarde, com TRANSVERSAL DO TEMPO E FALSO BRILHANTE. Mas vamos lá: COMO E PORQUE teve os dedos de Roberto Menenscal responsável pelos arranjos de conjunto, e do mestre da orquestração Erlon Chaves(que 1 ano mais tarde voltaria a trabalhar com Elis no álbum ...EM PLENO VERÃO). Chaves é um capítulo à parte. Era o arranjador de orquestra mais respeitado da época e fazia “o maior barulho”, e um “barulho” de Erlon significava uma verdadeira festa. A vivacidade do disco começa com O SONHO, de Egberto Gismonti: “Sinto que é hora, salto/meu foguete some queimando espaço...”. Um verdadeiro despertador, a música já entra festeira com toda a energia e potência que só Elis podia dar naqueles dias cinzas. O mesmo acontece com MARTA SARÉ, de Edu Lobo e Guarnieri. Era uma característica de Edu compôr músicas que falavam da escravidão, da Casa Grande, da Senzala...e nos anos 60 não havia mudado: o Brasil continuava escravo com a ditadura militar. Menescal traz a Bossa Nova com O BARQUINHO, em parceria com Bôscoli. Mas não era só Bossa. Na metade da música a festa recomeça. GIRO, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar empresta uma leveza ao disco. Leveza que o Brasil não tinha na época. Cidade inteira enfeitada, coberta de alegria, com uma noite serena. A “Pimentinha” oferecia esses dois pólos para o público: o lado forte, eufórico e politizado e o outro lado da esperança, da suavidade e do romantismo. E mesmo que a situação do país na época estivesse pesada, as pessoas encurraladas não perdiam a beleza. Era uma juventude alegre e esperançosa...E com certeza Elis, com seu COMO E PORQUE (e outras perguntas) entregava nas mãos do povo essa espirituosidade, essa esperança. E a história se repete...Mas cadê Elis???

“As coisas que eu vi e vivi, nos lugares todos, se refletem na música que faço hoje e que, dependendo do que eu ver e viver. Farei ou não amanhã”.

(4ª anotação)



 Escrito por Daniele às 15h05
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Leila Pinheiro nos horizontes do mundo

Tudo novo para Leila Pinheiro. Nos próximos dias 10 e 11, a cantora lançará nos palcos “Nos Horizontes do Mundo”, no CIE Music Hall, em São Paulo. Em seguida, no dia 23, é a vez do Rio de Janeiro, no Canecão. É o primeiro trabalho de Leila pela gravadora Biscoito Fino, totalizando doze discos em 25 anos de carreira. Produzido por Alê Siqueira e co-produzido por Leila, o cd é uma chuva de poetas e músicos, em belas parcerias como Francis Hime e Geraldo Carneiro, Joyce e Luís Tatit, Chico Buarque e Ivan Lins(a esperada “Renata Maria”), além de duas autorias da cantora(“Delicadeza” e “Hoje”, parceria com Renato Russo). A música que já está sendo executada nas rádios é “Pela Ciclovia”, de Marcos Valle e Jorge Vercillo, de quem a cantora tinha dito não gostar das letras, só das melodias.  Ao todo são 16 faixas de pura novidade, exatamente como os fãs da cantora esperavam, desde o álbum “Mais Coisas do Brasil”, lançado em 2001. A estudante de Serviço Social da UFRJ Gisele Souza da Silva aprovou a iniciativa de Leila de lançar um trabalho totalmente inédito e gostou muito do resultado: “Há muito tempo Leila devia este disco aos fãs. Tudo é perfeito, das músicas às fotos, todas tiradas na casa dela. Simplesmente maravilhoso”, diz. Desde o ano passado, em shows solo ou como convidada, a cantora mostrava o que viria a ser uma das faixas de “Nos Horizontes do Mundo”. Composta por Fátima Guedes, “A Vida que a Gente Leva” marca um novo momento na carreira dessa que é considerada uma das maiores compositoras da história da Música Brasileira. Muito mais leve do que nos outros anos, Fátima nos brinda com uma frase que serve a todos como uma reflexão: “a gente leva da vida, amor, a vida que a gente leva”.

“Renata Maria” traz dueto com Chico Buarque

Lá se foram 25 anos desde que Leila Pinheiro se apresentou pela primeira vez no palco do Teatro da Paz, em Belém. De lá pra cá o público pôde presenciar grandes momentos em sua carreira, como “Outras Caras”, de 1991, “Catavento e Girassol”, lançado em 96 e “Na Ponta da Língua”, de 98, onde misturava a boa e velha MPB de Paulinho da Viola com o pop-rock de Marina Lima e Frejat. Agora ela volta com mais um disco audacioso, em sua nova casa, a Biscoito Fino, onde se sente à vontade para apresentar aos fãs o que sempre teve vontade de fazer, com qualidade e sem a opressão de gravadoras poderosas. A faixa-título que abre o disco, composta por Paulinho da Viola é a própria definição dessa nova fase. Bem-humorada e otimista, “Nos Horizontes do Mundo” abre caminho para um belo acontecimento na MPB: o dueto de Leila com Chico Buarque na aguardada “Renata Maria”, musicada por Ivan Lins. Entre parcerias e duetos, uma outra surpresa: a versão de Leila para “A Minha Alma”, do grupo O Rappa, que a cantora já havia apresentado nos palcos, nos últimos dois anos. O resultado de toda essa mistura é um disco belo, sofisticado, que oferece ao público novos horizontes, do início ao fim.

 Escrito por Daniele às 10h41
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Sobre Sidney Miller

 

O primeiro grande sucesso de Sidney Miller foi Samba Pede Passagem, gravado por Nara Leão. Depois ele passou a compôr cantigas de roda. Sua primeira experiência em teatro foi com Arena Conta Tiradentes, ao lado de Gil e Caetano, quando os três musicaram a peça.



 Escrito por Daniele às 23h26
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Três não é demais

Em março de 66, o programa O Fino da Bossa passou por mais uma mudança. O musical, que já se chamava O Fino... ganhou mais um apresentador:Wilson Simonal. A direção da Record resolveu juntar o cantor à Elis e Jair como uma estratégia para alavancar a audiência do programa, já ameaçada pelo sucesso estrondoso do Jovem Guarda.

 Escrito por Daniele às 23h18
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Um grande país não nasce de "bundas"!

*

   "Depois de ter visto de perto a situação da MPB na Europa e na América do Sul, e de saber de seu sucesso nos EUA, eu me pergunto: quando a nossa boa música popular vai voltar a ter o lugar de destaque que merece, aqui no Brasil?"

   Estas linhas foram ditas por Elis, depois de voltar de uma temporada de 9 dias na Venezuela, em maio de 67. Pois bem! Olhando pra trás, nós sabemos que a MPB tinha sim o seu lugar de destaque, e Elis era um dos melhores exemplos de intérprete da boa música, que conseguia mostrar seu trabalho exatamente como merecia. Agora sou eu que pergunto: se Elis disse isso há mais de 30 anos, o que ela diria hoje, se estivesse viva? Este é um país onde reinam "bundas que falam"(mas não pensam), tidas como celebridades, e cantoras que enganam o tempo todo, tentando mostrar um talento que não têm! Esse não é o Brasil que artistas como Elis Regina queriam. Fico imaginando Elis hoje, dividindo o sofá da Hebe com a morena do Tchan ou qualquer outra dessas...na verdade é tudo a mesma coisa, só muda a bunda.

    Sei não... Caetano mudou, apoiando grupos de funkeiros, pagodeirinhos, Sandynhas(ele comparou essa chata com Elis, vejam vocês!), mas não acredito que Elis aceitaria a situação. Ah, não!

*Na foto, Elis e Edu Lobo em 65, ensaiando nos bastidores da Record.



 Escrito por Daniele às 20h27
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Elis, Tim Maia e Rita Lee, "Em Pleno Verão"!

Em 1970, Elis conheceu Tim Maia* e se encantou com sua voz. Ela teria comentado na época que finalmente tinha achado um cantor à sua altura. Então Tim foi convidado para participar do disco de Elis daquele ano - "Em Pleno Verão", dividindo os vocais com a Pimentinha em "These Are The Songs", belíssima música composta por ele: "These are the songs I wanna sing/These are the songs I wanna play/I will sing it every little time..."

De fato, como disse Nelson Motta em seu livro "Noites Tropicais", Tim ficou com a melhor parte da música: A parte em que se podia "brincar" com a voz, transformando toda a canção. A participação de Elis(que no ano seguinte arrasaria como uma verdadeira jazz singer americana em "Black is Beautiful", do disco "Ela"), acabou se tornando coadjuvante ao invés de partner, com uma interpretação suave demais perto de tudo o que poderia ter dado à música, se tivesse gravado sozinha(ou gravado a parte de Tim).

Entre as maravilhas de "Em Pleno Verão", destaque para a orquestração festeira do maestro Erlon Chaves, um verdadeiro mestre naquela época. A "festa" do disco fica por conta de faixas como "Comunicação", "Não Tenha Medo" e , como não podia deixar de ser, "Vou Deitar e Rolar"(dizem que ela cantava para Bôscoli, mas vai saber!).

*Soube há pouco tempo e não resisti! Tim Maia e Rita Lee protagonizaram, em 73, uma das histórias mais hilárias de tudo o que já se contou sobre MPB: Ambos gravaram discos naquele ano, mas parece que Andre Midani, "chefão" da Phillips, vetou os projetos(já finalizados). Rita e Tim teriam se enfurecido a ponto de adentrar a sala de Midani e quebrá-la toda!!!!! Tim teria arrombado a porta e Rita entrou junto para acabar de "arrombar a festa". A sala ficou destruída e os discos continuaram vetados. Parece que o de Rita seria o primeiro disco do Tutti-frutti e já foi recuperado pelo "mestre-garimpeiro" Marcelo Fróes. Sobre o trabalho de Tim Maia, não há pistas.

 



 Escrito por Daniele às 17h44
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Um pedacinho de uma época

"Tristeza Que se Foi" é uma celebração ao amor, à felicidade. Presente no álbum DOIS NA BOSSA Nº2, foi composta pelo grandioso Adilson Godoy. Encerro esta pequena homenagem à Pimenta, com essa letra simples e bonita.

TODA TRISTEZA JÁ PASSOU

E AGORA UM NOVO AMOR VEM SURGINDO, SORRINDO

POR ISSO BEM FELIZ EU SEI QUE

TODA TRISTEZA JÁ PASSOU

E QUE AGORA UM NOVO AMOR VEM SURGINDO, SORRINDO

POR ISSO VOU

VOU CANTANDO AGORA

VOU LEVANDO AGORA

A BELEZA DE UM NOVO AMOR

QUE EM MIM NASCEU

VOU CANTANDO AGORA

VOU LEVANDO AGORA

FELICIDADE SÓ

O que será que Elis está fazendo neste momento, aonde estiver? Será que ainda procura por um amor?

Ela sempre será o nosso.



 Escrito por Daniele às 16h58
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Enquanto a Tristeza Não vem/Contigo - parte 3

Deixemos o canto triste de lado. Não a obra irretocável de Edu e Vinícius, mas sim o canto triste interno de Elis; sua morte trágica(e misteriosa), a insegurança antes de entrar no palco a ponto de levá-la à desnecessária confissão em Montreux, na lendária noite brasileira de 1979: "Eu não mereço estar aqui...". Triste lembrar disso, não?

Esqueçamos todos esses elementos negativos de sua vida e deixemos que aflore a Elis da revista Contigo. Uma mulher em toda a sua plenitude artística e humana. Suprema no palco, forte na vida.

Forte Elis! 



 Escrito por Daniele às 16h43
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Elis Regina em "Contigo especial" - parte 2

Atenção também para a belíssima foto de seu casamento com Ronaldo Bôscoli, em dezembro 67, na Capela Mayrink(escolha de Ronaldo):era a hora da troca de alianças.

 Momentos únicos, como o resultado do festival de 66, quando foi anunciado que vencera como melhor intérprete chegam a emocionar: Elis, animadíssima com as duas mãos no rosto.

A parte pessoal é uma delícia. Elis na casa da Niemeyer, na "era Bôscoli": piscina com presença de Leila Diniz e Djenane Machado.

Na "era César", fotos da residência do casal, na Serra da Cantareira. Ali, Elis cozinhava para os amigos, ia de chinelo de dedo e cara lavada fazer compras no sacolão, levava os filhos para a escola...

Com textos de Nélson Motta e João Marcello Bôscoli, Contigo resgata e enaltece a nossa Elis, alegre, moleca, indissolúvel!



 Escrito por Daniele às 16h28
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Elis Regina em "Contigo especial" - parte 1

Se Elis Regina estivesse entre nós, com certeza não permitiria que a imprensa relembrasse seus momentos ruins. Gostaria, sem dúvidas, que realçassem pedaços fantásticos de sua história. Seus belíssimos momentos no palco, mãos para cima, para os lados, expressões únicas de seu rosto, gestos corporais. Foi pensando nisso que a revista Contigo lançou, este mês, uma edição especial em homenagem à Pimentinha.

Contigo especial-Biografias é um trabalho fascinante, onde as fotos impressionam pela beleza. São fotografias que retratam uma Elis em tempos de glória artística e no aspecto pessoal. No início da publicação, a decada de 60 traz uma menina esfuziante, encantada com o sucesso, ao lado de Jair Rodrigues, em foto de página dupla. Fiquei extasiada ao ver Elis em página inteira, colorizada, trajando um casaquinho vermelho, de lã. Ela sorria lindamente, transpirando juventude, com carinha de menina. Tão encantadora.



 Escrito por Daniele às 16h19
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Roberto e Erasmo

Maio de 67:

Roberto e Erasmo Carlos cantaram juntos pela primeira vez nos bastidores da extinta Tv Rio. Na época, eles eram de gravadoras diferentes: Roberto era da CBS e Erasmo, da RGE. Antes de uma apresentação do programa "Jovem Guarda", os dois brincavam de matar o tempo quando um propôs ao outro formar uma dupla. Em meio às desafinadas notas  dos dois, risos e a certeza de que aquilo não passaria de mera gozação. Depois que terminaram de cantar "A Carta", foram surpreendidos pelos aplausos dos câmeras. Só a partir daí Roberto começou a levar a sério o "futuro" da nova dupla vocal e disse a Erasmo que gostaria de cantar a música junto com ele, à noite, durante o "Jovem Guarda".

 



 Escrito por Daniele às 13h24
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Nara Leão

 

E viva a senhora opinião!

Nara Leão é uma das maiores cantoras da história da nossa música. Isso é fato. Não importa o que os mais radicais dizem, afirmam. Quando alguém a coloca na lista das mais importantes, muitos, críticos e público, com seu preconceito, tentam sobrepujar o seu real valor. "Que voz pequena", essa é A FRASE.

Muito perigoso e estúpido da parte de qualquer um, lembrar de Nara apenas por isso. Uma cantora não é só voz. É espírito, visão; uma voz interior. Nara era madura e moderna. Transgressora, foi a primeira cantora a dar o devido espaço aos sambistas de morro. "...Quero mostrar ao mundo que tenho valor...": Zé Ketti pedia passagem, na voz de Nara.

Quando muitos nomes de peso da MPB, como Edu Lobo e Elis, protestavam em passeata contra as guitarras elétricas, Nara apenas observava da janela do apartamento de Guilherme Araújo, ao lado de Caetano Veloso, e balançava a cabeça, dizendo que "aquilo tudo era uma grande besteira".

Apoiou o Tropicalismo, vivendo um pouquinho do movimento com uma "Lindonéia" adorável. A Bossa Nova dentro da Tropicália. O que dizer de seu retrato junto com os baianos de corpo presente, na capa de "Panis Et Circenses"?

Na verdade, mais do que transgressora, Nara foi uma verdadeira companheira do novo, do inusitado. Ficou ao lado de Gil, Caetano, Mutantes e outros, na época em que todos eles foram recebidos como "bagunceiros" por grande parte da crítica e do público...e totalmente pela ditadura. Ser companheiro, em certos casos, é muito mais significativo do que ser transgressor.

Nara de Sidney Miller, Nelson Cavaquinho, Gil, Vinícius...Essa é a que merece ser lembrada.



 Escrito por Daniele às 16h13
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E quando eles se entenderam...

...noivaram.

As brigas de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, a maioria delas em público, renderam inúmeras notas para a imprensa. Mas em 66 eles começaram a namorar e um ano depois, declararam o porquê da grande briga e o  que achavam um do outro. Extinta revista Intervalo, abril de 67:

Elis, sobre a época do beco das Garrafas: "Não cantava em outros lugares por safadeza. Fazia isso por que precisava de dinheiro"

O fato é que ela aceitava outros convites, muitos deles no horário do Beco. As pessoas que queriam vê-la se revoltaram e ameaçaram quebrar a boate, caso ela não aparecesse. Ronaldo descobriu e quis dar um basta na situação.

Então ela, irredutível, foi para São Paulo...

Ronaldo: "Naquela época era impossível conversar um com o outro. Elis veio para São Paulo zangada e eu fiquei no Rio zangado também. Aqui ela começou a crescer. E a mágoa que ficou entre nós também. Quando fui convidado para produzir O Fino..., ao lado do Miéle, nem queria aceitar(Elis também não)".

Elis: "Quando soube da vinda de Bôscoli, não gostei. Mas me avisaram uma semana antes, não havia outro jeito".

Acabaram fazendo as pazes depois de uma conversa de três horas, já que Ronaldo achava que o trabalho com Elis não renderia se houvesse um clima de discórdia.

Ronaldo: "Nós somos de temperamento igual. Eu com 22 anos era exatamente como ela. E o que mais gosto em minha noiva é o que vejo de meu nela".

Elis: "Ronaldo apareceu na hora certa, sabe? É pra mim aquele negócio bacana de pai, irmão, amigo e marido ao mesmo tempo".



 Escrito por Daniele às 17h07
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...E Vinícius também era "uma brasa, mora!"

Quem diria: Vinícius de Moraes e Jovem Guarda. Combinam? Por que não? Em abril de 67, Vinícius aderiu ao Iê-iê-iê e compôs uma música, em parceria com Francisco Enoi, para a trilha sonora do filme Garota de Ipanema. A letra é muito boba, principalmente por que se tratava do Poetinha, com suas sempre riquíssimas poesias, mas vale como curiosidade. Seguem abaixo as linhas de nosso querido Vinícius,naquela época, pra lá de moderninho:

"Se você quiser a lua, eu lhe digo/Tome, é sua/Porque eu fiz a lua pra vc/Se você quiser a estrela da manhã/Amanhã mesmo eu pego e mando pra vc/Por você, todas as flores receberam novas cores/Tudo por inveja de você/Milhões de passarinhos nos seus ninhos compuseram/Este lindo iê-iê-iê/Por você, senhorazinha menina/Que mais linda não vai ser nunca mais/E que além de ser pra frente a barra limpa/É papo firme por demais, por demais/Por você, se for o caso, eu juro que me caso/Meu amor eu caso com você/É um atraso mas eu caso/Por que estou perdidamente apaixonado por você."

O "..que mais linda não vai ser nunca mais..." é o único trecho da letra em que percebemos Vinícius como ele realmente era: essa carga rara de poesia!



 Escrito por Daniele às 23h03
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Cláudia e Elis Regina

As cantoras Cláudia e Elis Regina não se davam muito bem. Na década de 60, choviam histórias desse desentendimento. Elis defendia a divulgação da música do Brasil, "do que é nosso", como ela dizia na época. Já Cláudia, que muitos diziam ter uma voz bem parecida com a da Pimentinha, trabalhava uma carreira com música brasileira e internacional. Em junho de 67 as duas tiveram o seguinte "diálogo indireto":

Cláudia: "Eu canto música boa, não importa a nacionalidade. Música pra mim fala qualquer idioma!"

Elis: "Cada povo tem o Frank Sinatra que merece."



 Escrito por Daniele às 19h19
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