Nara Leão

E viva a senhora opinião!
Nara Leão é uma das maiores cantoras da história da nossa música. Isso é fato. Não importa o que os mais radicais dizem, afirmam. Quando alguém a coloca na lista das mais importantes, muitos, críticos e público, com seu preconceito, tentam sobrepujar o seu real valor. "Que voz pequena", essa é A FRASE.
Muito perigoso e estúpido da parte de qualquer um, lembrar de Nara apenas por isso. Uma cantora não é só voz. É espírito, visão; uma voz interior. Nara era madura e moderna. Transgressora, foi a primeira cantora a dar o devido espaço aos sambistas de morro. "...Quero mostrar ao mundo que tenho valor...": Zé Ketti pedia passagem, na voz de Nara.
Quando muitos nomes de peso da MPB, como Edu Lobo e Elis, protestavam em passeata contra as guitarras elétricas, Nara apenas observava da janela do apartamento de Guilherme Araújo, ao lado de Caetano Veloso, e balançava a cabeça, dizendo que "aquilo tudo era uma grande besteira".
Apoiou o Tropicalismo, vivendo um pouquinho do movimento com uma "Lindonéia" adorável. A Bossa Nova dentro da Tropicália. O que dizer de seu retrato junto com os baianos de corpo presente, na capa de "Panis Et Circenses"?
Na verdade, mais do que transgressora, Nara foi uma verdadeira companheira do novo, do inusitado. Ficou ao lado de Gil, Caetano, Mutantes e outros, na época em que todos eles foram recebidos como "bagunceiros" por grande parte da crítica e do público...e totalmente pela ditadura. Ser companheiro, em certos casos, é muito mais significativo do que ser transgressor.
Nara de Sidney Miller, Nelson Cavaquinho, Gil, Vinícius...Essa é a que merece ser lembrada.
Escrito por Daniele às 16h13
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